domingo, 22 de fevereiro de 2009

Disfunções da percepção

Os termos delírio e alucinação referem-se a diferentes fenômenos da percepção. Enquanto o delírio consiste em perceber as coisas de modo errado, como várias das figuras no meu blog, a alucinação refere-se a ver (ou ouvir) coisas que não existem.

Disfunções da percepção podem ser geradas por drogas, doenças (esquizofrenia, por ex) ou ocorrerem ocasionalmente na vida de cada um de nós. É interessante notar que possamos ver coisas que não existem ou interpretar errado uma imagem ou som, mas acontece. Existe ainda uma modalidade de alucinação muito interessante e que o leitor certamente já experienciou: a "alucinação negativa". É quando você NÃO vê algo que está lá; quantas vezes você não conseguiu achar uma palavra no dicionário ou não achou a maionese que está na geladeira?

Uma trabalho interessante*, que tinha por objetivo estudar a prevalência de "zumbidos" em pessoas de audição normal, mostrou que privadas de estímulos sonoros, 58 % delas ouviram sons que não são característicos de quem sofre de zumbido, mas típicas alucinações auditivas. Enquanto a descrição mais comum para quem sofre de "zumbidos" seja de ruídos como apito, cachoeira, cigarra, grilo e outros sons contínuos, estes participantes relataram ouvir vozes de pessoas, bebês chorando e latido de cães. A maioria dos que relataram ouvir os sons não acreditou quando lhes disseram que não havia som algum.

Moral da História de Hoje: Não confie 100% nem em você mesmo!!


*Influence of silence and attention on tinnitus perception, de Keila Knobel e Tanit Sanchez, pode ser lido por assinantes do Otolaryngology – Head and Neck Surgery em http://www.otojournal.org/article/PIIS0194599807017755/abstract.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Disjunção entre discurso e ação

Um insight na análise que mudou minha vida foi perceber a “disjunção” entre o que se fala e o que se faz e, assim, a passar a dar mais valor ao que percebo do que ao que ouço.
Em geral, somos muito sensíveis ao efeito provocado pelas palavras; estamos acostumados a avaliar o discurso, como se ele fosse a base da verdade, mas nos esquecemos de confrontar discurso com ação para verificar a sua consistência e, sobretudo, nos esquecemos de verificar em qual direção apontam nossos sentimentos quanto a quaisquer questões.
Antigamente, quando acreditava apenas na palavra, ao me sentir aborrecida com alguém, ficava “paralisada” quando a pessoa me dava argumentos convincentes de que ela não fez algo com a intenção de me ferir. E “consentia” que havia me enganado. Agora, porém, confio na “impressão” de que algo está errado. De que quando me sinto prejudicada, de alguma maneira, fui. Nós podemos não saber dizer o porquê, podemos não ganhar na argumentação; mas, sentindo-nos tristes, estamos tristes e não há argumento contra isso!!
Perceber a importância de respeitar o “eu” interior, dando-lhe a merecida atenção, mesmo sem a necessidade de “argumentos”, é o ponto crucial, se não em direção à felicidade, mas na direção contrária a da infelicidade.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Emaranhamento

“Vamos armoçar, sentados na calçada, conversar sobre isso e aquilo, coisas que nóis não entende nada. Depois, puxá uma páia, andar um pouco, prá fazer o quilo” (Torresmo à Milanesa, Adoniram Barbosa)

Bem, infelizmente, eu só fiz dois anos de física na USP, serviu para aprender um pouco de cálculo (4 cálculos) e um pouquinho de física, mas ainda entendo muito pouco, let’s say about 0,01 % do que eu leio, mas para quem não lê o meu blog, posso suscitar maior credibilidade! Mas vamos ao que interessa. Achei um artigo bem interessante, embora não tenha realmente entendido muito, não tenha entendido suas implicações. Abaixo está um trechinho trascrito da revista da FAPESP:

“Pela primeira vez, cientistas conseguiram teletransportar informação entre dois átomos isolados em compartimentos distantes 1 metro um do outro. Trata-se de uma conquista importante na busca por um computador quântico. O teletransporte de informação (...) talvez seja a mais misteriosa forma de transporte possível na natureza (...) No teletransporte quântico (emaranhamento), a informação (como o spin de uma partícula ou a polarização de um fóton) é transferida de um local a outro sem que ocorra o deslocamento por um meio físico. Não há transferência de energia, nem de matéria.”

Achei o máximo! Porque, mesmo os esotéricos tentam justificar suas “teorias” pela “transmissão de energia”, tão forte é a noção vinda da física de que a energia deve ser mantida! Mas, PQP, talvez não seja necessário que energia esteja envolvida na transmissão de informação!! Isso foi forte!!

Vou transcrever mais um pouquinho, só para você, amado leitor, entender melhor meu não-entendimento:

“Bits (dígitos binários) eletrônicos convencionais, como os de um computador pessoal, estão sempre em um de dois estados: ligado ou desligado, ou 0 ou 1. Os bits quânticos, entretanto, podem estar em alguma combinação (superposição) dos dois estados ao mesmo tempo como uma moeda que ficasse simultaneamente tanto na cara como na coroa. E é justamente esse fenômeno inusitado que dá à computação quântica seu enorme potencial.”

Artigo da Science, 23/1 http://www.sciencemag.org/