Passaporte alemão e alma estrangeira em qualquer País... A diferença é que na Alemanha, com meu nível de conhecimento da língua, me sinto como se tivesse um QI menor!!! Aí não sei se falo inglês, se arrisco meu alemão... Mas vou sobrevivendo.
Estou lendo "Brainwashing", nas manhãs de neve, frio.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
Papai Noel sempre me dá o que eu quero
Incrível como sou atendida nos meus desejos; o problema é que eles são satisfeitos sempre meio atrasados...Veja, não estou reclamando, não!! Só estou dizendo que eles chegam com um lapso de tempo meio grande entre o pedido e a realização!!! Este desejo de virar o ano na Torre de Brandemburgo já tem uns 3 anos...E, neste ano de 2009, eu estava desejando passar o Natal e Ano Novo como todo brasileiro quer, na praia, com aqueles assados irradiando um calor infernal da cozinha, cerveja brasileira e pular as 7 ondinhas!! Mas veio o pedido anterior, Berlin. Aliás, quando eu fiz este pedido, meu filho nem sonhava estudar na Humboldt, nem imaginava morar na Alemanha!! Então, agora realizo o desejo anterior, mas com o sempre atual desejo de passar com a minha família que é o meu Ricardão.
Filho, mom is coming!!!
Filho, mom is coming!!!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Remorso e Culpa
Uma das minhas mais recentes e importantes aquisições intelectuais foi o conhecimento de que algumas pessoas não sentem remorso. A questão da culpa e do remorso sempre me perturbou, porque estes sentimentos me pareciam os mais predadores devastadores que alguém pudesse ter; me pareciam servir mais aos outros do que ao próprio indivíduo!! Nietzsche já sugeriu que a “consciência é a última e mais tardia evolução da vida e, por conseguinte, o que nela existe de menos acabado e de mais frágil." E a culpa está dentro desta “consciência”.
A culpa, como vejo, é uma “aprendizagem psicológica” imposta socialmente. Sendo a aprendizagem psicológica, para mim, o conjunto de caminhos neuronais registrados e muito difíceis de serem “re-elaborados”; não porque sejam a melhor escolha para o indivíduo, mas porque prefere-se o caminho já aprendido em detrimento de “novas aprendizagens”. A culpa é estimulada socialmente (desde a infância) pela família, pela escola e pela religião, para tornar cada indivíduo obediente às regras vigentes, mesmo na ausência da autoridade física (“Deus está vendo”); desta forma cada indivíduo é seu juiz e algoz.
A questão de como não ser refém do interesse dos outros e ter autonomia para agir conforme os próprios interesses, sem sentir culpa, nem prejudicar os outros, imagino ser uma inquietação de cada ser inteligente e ético. Lembro-me de que a primeira identificação com uma questão relacionada foi no romance de Dostoievsky, Crime e Castigo, em que Raskolnikov delibera que existem homens que “devido ao seu intelecto superior ... estão isentos de certas leis de moralidade” e assim, decide cometer um assassinato.
Sempre imaginei que qualquer ser inteligente estivesse constantemente em embates éticos; e que a decisão para seguir um caminho ou outro, fosse produto de um esforço contínuo superando as limitações psicológicas impostas pela sociedade!! Mas nunca supus que a natureza pudesse ter agraciado algum ser com a ausência total da culpa ou de remorso!! Nunca imaginei que fosse dado a alguém o direito de ser um semi-deus, de agir sem freios morais, apenas de acordo com os próprios interesses!! Isso me encheu de perplexidade!!!
Hoje quando penso na culpa plantada na maioria de nós, imagino que só possa ser obra de um destes seres sem culpa!!
A culpa, como vejo, é uma “aprendizagem psicológica” imposta socialmente. Sendo a aprendizagem psicológica, para mim, o conjunto de caminhos neuronais registrados e muito difíceis de serem “re-elaborados”; não porque sejam a melhor escolha para o indivíduo, mas porque prefere-se o caminho já aprendido em detrimento de “novas aprendizagens”. A culpa é estimulada socialmente (desde a infância) pela família, pela escola e pela religião, para tornar cada indivíduo obediente às regras vigentes, mesmo na ausência da autoridade física (“Deus está vendo”); desta forma cada indivíduo é seu juiz e algoz.
A questão de como não ser refém do interesse dos outros e ter autonomia para agir conforme os próprios interesses, sem sentir culpa, nem prejudicar os outros, imagino ser uma inquietação de cada ser inteligente e ético. Lembro-me de que a primeira identificação com uma questão relacionada foi no romance de Dostoievsky, Crime e Castigo, em que Raskolnikov delibera que existem homens que “devido ao seu intelecto superior ... estão isentos de certas leis de moralidade” e assim, decide cometer um assassinato.
Sempre imaginei que qualquer ser inteligente estivesse constantemente em embates éticos; e que a decisão para seguir um caminho ou outro, fosse produto de um esforço contínuo superando as limitações psicológicas impostas pela sociedade!! Mas nunca supus que a natureza pudesse ter agraciado algum ser com a ausência total da culpa ou de remorso!! Nunca imaginei que fosse dado a alguém o direito de ser um semi-deus, de agir sem freios morais, apenas de acordo com os próprios interesses!! Isso me encheu de perplexidade!!!
Hoje quando penso na culpa plantada na maioria de nós, imagino que só possa ser obra de um destes seres sem culpa!!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Do what thou wilt
Crowley pregou: "faça o que quiser", "quando se faz o que se quer o Universo conspira a favor". Essa idéia parece perigosa e quando dizemos isso a alguém, quase sempre o ouvinte acha que estamos querendo infringir regras ou justificar nosso egoismo. Fazer o que se quer não é bem visto.
Em geral, obedecemos e renunciamos ao que queremos, porque procuramos não perder o que já temos ou não queremos desagradar. Mas está errado. Quanto mais fazemos o que não queremos, mais destruímos a pessoa mais importante para nós. Cada ato concedido, é uma perda que deve ser cuidadosamente avaliada.
Nosso esqueleto se renova a cada dez anos. É um processo contínuo e gradativo, mas que tem severas implicações: com a postura corcunda, os ossos se arcam e resultam em um novo perfil. Assim é nossa mente, quanto mais dizemos "sim", menos capazes somos de dizer "não", menos felizes somos e isso se reforça. Ao contrário, ao dizermos "não" para o quê não queremos, temos tempo e ânimo de conseguir o que realmente queremos! Essa é uma Lei do Universo.
Em geral, obedecemos e renunciamos ao que queremos, porque procuramos não perder o que já temos ou não queremos desagradar. Mas está errado. Quanto mais fazemos o que não queremos, mais destruímos a pessoa mais importante para nós. Cada ato concedido, é uma perda que deve ser cuidadosamente avaliada.
Nosso esqueleto se renova a cada dez anos. É um processo contínuo e gradativo, mas que tem severas implicações: com a postura corcunda, os ossos se arcam e resultam em um novo perfil. Assim é nossa mente, quanto mais dizemos "sim", menos capazes somos de dizer "não", menos felizes somos e isso se reforça. Ao contrário, ao dizermos "não" para o quê não queremos, temos tempo e ânimo de conseguir o que realmente queremos! Essa é uma Lei do Universo.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
A little help
Recentemente uma amiga desabafou sobre o fim do relacionamento com o namorado. Ela está sofrendo com a separação e não parece haver chance de reconciliação. Eu sugeri a ela que procurasse um psiquiatra e pedisse um anti-depressivo (do tipo inibidor seletivo de recaptura de serotonina), ao quê ela reagiu mal e me cobrou eu ter dito alguma vez que os antidepressivos podiam prejudicar o amadurecimento das pessoas...Está certo que não devamos tentar achar medicamentos para nos livrar de qualquer situação. É aceitável que devamos desenvolver nossas estruturas psicológicas para nos tornar mais aptos a encarar novas e difíceis situações. Porém, até que ponto o sofrimento de uma pessoa é traduzido em fortalecimento das suas estruturas e até que ponto o sofrimento não causa a deterioração da vida que se quer preservar? O sofrimento prolongado parece auto-alimentar-se, de modo que a pessoa, com o tempo, já não tem vontade de sair dele, “acostuma-se”, como se entrasse numa adaptação neurobiológica com a tristeza e a dor. Acredito que a pessoa saiba qual é o ponto em que o "sofrimento" não está mais "produtivo", é neste momento que um profissional médico pode auxiliar! O uso dos novos antidepressivos, por curto período de tempo e com a intenção da pessoa em superar a crise emocional, pode reconduzi-la a uma vida produtiva e construtiva.
Ao contrário de medicamentos para dormir (hipnóticos) e ansiolíticos benzodiazepínicos que me assustam ver as pessoas usando (e tornando-se dependentes), confio nos ISRS que bem utilizados podem ser muito úteis.
domingo, 29 de março de 2009
Intuição
Em matemática, o termo intuitivo tem um significado diferente do usado no dia-a-dia. É intuitivo aquilo que, sem necessidade de prova, indica uma consequência "natural". Por exemplo, que ao somarmos 1 unidade a um número positivo, este novo número é maior que o anterior.
No entanto, mesmo em matemática, algumas coisas que parecem intuitivas, não são verdadeiras. Por exemplo, parece intuitivo que a soma de infinitas parcelas não seja um número finito. No entanto a soma das infinitas frações abaixo é igual a 1 !!
Assim, constantemente estamos sendo "enganados" pelo juízo que fazemos das coisas. E muitas vezes podemos ficar inseguros por conta destes erros. Estamos tratando de erros lógicos, intelectuais. O remédio para não sermos vítimas destes erros, é a informação.
Existe ainda um outro tipo de conceito de intuição, vou chamá-la de "metafísica". Essa intuição é como uma "dica" que você recebe e "serve" para, junto a outros dados observacionais, poder auxiliá-lo na tomada de decisões. Para a maioria das pessoas, é muito difícil avaliar o valor desta "intuição", bem como distingui-la de outras informações, digamos de "falsas intuições".
No meu entender, de alguém que aprecia o intelecto e o alimenta com informação de ótima qualidade; de alguém refrário a aceitar o "senso comum"; há espaço para a "intuição" metafísica! Ao meu ver, esta intuição pode e deve ser usada como qualquer outro dos 5 sentidos.
Para começar a usá-la, é preciso, primeiramente, aceitar que ela exista, é preciso aceitar que sejamos capazes de "captar estas informações". Depois, precisamos de tempo e treino para distinguir a intuição de outras informações irrelevantes. Como ? Usando a intuição!
Deus está dentro de você e Deus é o Bem. A Intuição é o caminho que leva a Ele.
No entanto, mesmo em matemática, algumas coisas que parecem intuitivas, não são verdadeiras. Por exemplo, parece intuitivo que a soma de infinitas parcelas não seja um número finito. No entanto a soma das infinitas frações abaixo é igual a 1 !!
Assim, constantemente estamos sendo "enganados" pelo juízo que fazemos das coisas. E muitas vezes podemos ficar inseguros por conta destes erros. Estamos tratando de erros lógicos, intelectuais. O remédio para não sermos vítimas destes erros, é a informação.
Existe ainda um outro tipo de conceito de intuição, vou chamá-la de "metafísica". Essa intuição é como uma "dica" que você recebe e "serve" para, junto a outros dados observacionais, poder auxiliá-lo na tomada de decisões. Para a maioria das pessoas, é muito difícil avaliar o valor desta "intuição", bem como distingui-la de outras informações, digamos de "falsas intuições".
No meu entender, de alguém que aprecia o intelecto e o alimenta com informação de ótima qualidade; de alguém refrário a aceitar o "senso comum"; há espaço para a "intuição" metafísica! Ao meu ver, esta intuição pode e deve ser usada como qualquer outro dos 5 sentidos.
Para começar a usá-la, é preciso, primeiramente, aceitar que ela exista, é preciso aceitar que sejamos capazes de "captar estas informações". Depois, precisamos de tempo e treino para distinguir a intuição de outras informações irrelevantes. Como ? Usando a intuição!
Deus está dentro de você e Deus é o Bem. A Intuição é o caminho que leva a Ele.
domingo, 15 de março de 2009
RESET
Recentemente tive problemas com a internet, provedor e computador. E acabei formatando meu desktop. O Vista permite que você mesmo acabe com sua vida pregressa e comece tudo outra vez, no conforto do seu lar e sem que estranhos façam isso para você. Eu deveria ter feito um back up, mas salvei apenas algumas coisinhas num pen drivezinho de 2 G. Estava tão irada com uma semana de ostracismo virtual que senti, ao formatá-lo, uma espécie de vingança. Perdi aulas, provas, documentos e fotos. Fotos!! Isso me lembra de uma música de Paulo Vanzolini*:
Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça
Na praça Clóvis (...)
Dá um certo alívio perder, maybe I'm getting crazy after all...
*http://www.imeem.com/fabiosolia/music/ALZRLnzI/chico-buarque-08-praa-clvis/
Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça
Na praça Clóvis (...)
Dá um certo alívio perder, maybe I'm getting crazy after all...
*http://www.imeem.com/fabiosolia/music/ALZRLnzI/chico-buarque-08-praa-clvis/
domingo, 1 de março de 2009
Tristeza
Cada emoção desperta em nós um certo tipo de disposição para agir, o amor faz a gente querer construir, fazer planos, diminuir a importância das coisas ruins e ficar grato pelos momentos vividos; a raiva, ao contrário, nos dá uma energia grande, destruidora, que geralmente acaba por nos destruir; mas a tristeza, ela não nos dá energia alguma, nos imobiliza em uma sensação de impotência e de impressão de as coisas perderam o sentido. Porém, segundo alguém da minha máxima confiança, a tristeza (não a depressão) é necessária para nos reconstruir, para nos tornar mais fortes e aptos a lidar com os fatos difíceis da vida, para que amadureçamos.
O amadurecimento seria, em uma de suas expressões maiores, a aceitação pacífica de que o mundo não é como gostaríamos que ele fosse e que temos coisas, ainda, pelas quais devemos ser gratos.
O amadurecimento seria, em uma de suas expressões maiores, a aceitação pacífica de que o mundo não é como gostaríamos que ele fosse e que temos coisas, ainda, pelas quais devemos ser gratos.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Disfunções da percepção
Os termos delírio e alucinação referem-se a diferentes fenômenos da percepção. Enquanto o delírio consiste em perceber as coisas de modo errado, como várias das figuras no meu blog, a alucinação refere-se a ver (ou ouvir) coisas que não existem.
Disfunções da percepção podem ser geradas por drogas, doenças (esquizofrenia, por ex) ou ocorrerem ocasionalmente na vida de cada um de nós. É interessante notar que possamos ver coisas que não existem ou interpretar errado uma imagem ou som, mas acontece. Existe ainda uma modalidade de alucinação muito interessante e que o leitor certamente já experienciou: a "alucinação negativa". É quando você NÃO vê algo que está lá; quantas vezes você não conseguiu achar uma palavra no dicionário ou não achou a maionese que está na geladeira?
Uma trabalho interessante*, que tinha por objetivo estudar a prevalência de "zumbidos" em pessoas de audição normal, mostrou que privadas de estímulos sonoros, 58 % delas ouviram sons que não são característicos de quem sofre de zumbido, mas típicas alucinações auditivas. Enquanto a descrição mais comum para quem sofre de "zumbidos" seja de ruídos como apito, cachoeira, cigarra, grilo e outros sons contínuos, estes participantes relataram ouvir vozes de pessoas, bebês chorando e latido de cães. A maioria dos que relataram ouvir os sons não acreditou quando lhes disseram que não havia som algum.
Moral da História de Hoje: Não confie 100% nem em você mesmo!!
*Influence of silence and attention on tinnitus perception, de Keila Knobel e Tanit Sanchez, pode ser lido por assinantes do Otolaryngology – Head and Neck Surgery em http://www.otojournal.org/article/PIIS0194599807017755/abstract.
Disfunções da percepção podem ser geradas por drogas, doenças (esquizofrenia, por ex) ou ocorrerem ocasionalmente na vida de cada um de nós. É interessante notar que possamos ver coisas que não existem ou interpretar errado uma imagem ou som, mas acontece. Existe ainda uma modalidade de alucinação muito interessante e que o leitor certamente já experienciou: a "alucinação negativa". É quando você NÃO vê algo que está lá; quantas vezes você não conseguiu achar uma palavra no dicionário ou não achou a maionese que está na geladeira?
Uma trabalho interessante*, que tinha por objetivo estudar a prevalência de "zumbidos" em pessoas de audição normal, mostrou que privadas de estímulos sonoros, 58 % delas ouviram sons que não são característicos de quem sofre de zumbido, mas típicas alucinações auditivas. Enquanto a descrição mais comum para quem sofre de "zumbidos" seja de ruídos como apito, cachoeira, cigarra, grilo e outros sons contínuos, estes participantes relataram ouvir vozes de pessoas, bebês chorando e latido de cães. A maioria dos que relataram ouvir os sons não acreditou quando lhes disseram que não havia som algum.
Moral da História de Hoje: Não confie 100% nem em você mesmo!!
*Influence of silence and attention on tinnitus perception, de Keila Knobel e Tanit Sanchez, pode ser lido por assinantes do Otolaryngology – Head and Neck Surgery em http://www.otojournal.org/article/PIIS0194599807017755/abstract.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Disjunção entre discurso e ação
Um insight na análise que mudou minha vida foi perceber a “disjunção” entre o que se fala e o que se faz e, assim, a passar a dar mais valor ao que percebo do que ao que ouço.
Em geral, somos muito sensíveis ao efeito provocado pelas palavras; estamos acostumados a avaliar o discurso, como se ele fosse a base da verdade, mas nos esquecemos de confrontar discurso com ação para verificar a sua consistência e, sobretudo, nos esquecemos de verificar em qual direção apontam nossos sentimentos quanto a quaisquer questões.
Antigamente, quando acreditava apenas na palavra, ao me sentir aborrecida com alguém, ficava “paralisada” quando a pessoa me dava argumentos convincentes de que ela não fez algo com a intenção de me ferir. E “consentia” que havia me enganado. Agora, porém, confio na “impressão” de que algo está errado. De que quando me sinto prejudicada, de alguma maneira, fui. Nós podemos não saber dizer o porquê, podemos não ganhar na argumentação; mas, sentindo-nos tristes, estamos tristes e não há argumento contra isso!!
Perceber a importância de respeitar o “eu” interior, dando-lhe a merecida atenção, mesmo sem a necessidade de “argumentos”, é o ponto crucial, se não em direção à felicidade, mas na direção contrária a da infelicidade.
Em geral, somos muito sensíveis ao efeito provocado pelas palavras; estamos acostumados a avaliar o discurso, como se ele fosse a base da verdade, mas nos esquecemos de confrontar discurso com ação para verificar a sua consistência e, sobretudo, nos esquecemos de verificar em qual direção apontam nossos sentimentos quanto a quaisquer questões.
Antigamente, quando acreditava apenas na palavra, ao me sentir aborrecida com alguém, ficava “paralisada” quando a pessoa me dava argumentos convincentes de que ela não fez algo com a intenção de me ferir. E “consentia” que havia me enganado. Agora, porém, confio na “impressão” de que algo está errado. De que quando me sinto prejudicada, de alguma maneira, fui. Nós podemos não saber dizer o porquê, podemos não ganhar na argumentação; mas, sentindo-nos tristes, estamos tristes e não há argumento contra isso!!
Perceber a importância de respeitar o “eu” interior, dando-lhe a merecida atenção, mesmo sem a necessidade de “argumentos”, é o ponto crucial, se não em direção à felicidade, mas na direção contrária a da infelicidade.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Emaranhamento
“Vamos armoçar, sentados na calçada, conversar sobre isso e aquilo, coisas que nóis não entende nada. Depois, puxá uma páia, andar um pouco, prá fazer o quilo” (Torresmo à Milanesa, Adoniram Barbosa)
Bem, infelizmente, eu só fiz dois anos de física na USP, serviu para aprender um pouco de cálculo (4 cálculos) e um pouquinho de física, mas ainda entendo muito pouco, let’s say about 0,01 % do que eu leio, mas para quem não lê o meu blog, posso suscitar maior credibilidade! Mas vamos ao que interessa. Achei um artigo bem interessante, embora não tenha realmente entendido muito, não tenha entendido suas implicações. Abaixo está um trechinho trascrito da revista da FAPESP:
“Pela primeira vez, cientistas conseguiram teletransportar informação entre dois átomos isolados em compartimentos distantes 1 metro um do outro. Trata-se de uma conquista importante na busca por um computador quântico. O teletransporte de informação (...) talvez seja a mais misteriosa forma de transporte possível na natureza (...) No teletransporte quântico (emaranhamento), a informação (como o spin de uma partícula ou a polarização de um fóton) é transferida de um local a outro sem que ocorra o deslocamento por um meio físico. Não há transferência de energia, nem de matéria.”
Achei o máximo! Porque, mesmo os esotéricos tentam justificar suas “teorias” pela “transmissão de energia”, tão forte é a noção vinda da física de que a energia deve ser mantida! Mas, PQP, talvez não seja necessário que energia esteja envolvida na transmissão de informação!! Isso foi forte!!
Vou transcrever mais um pouquinho, só para você, amado leitor, entender melhor meu não-entendimento:
“Bits (dígitos binários) eletrônicos convencionais, como os de um computador pessoal, estão sempre em um de dois estados: ligado ou desligado, ou 0 ou 1. Os bits quânticos, entretanto, podem estar em alguma combinação (superposição) dos dois estados ao mesmo tempo como uma moeda que ficasse simultaneamente tanto na cara como na coroa. E é justamente esse fenômeno inusitado que dá à computação quântica seu enorme potencial.”
Artigo da Science, 23/1 http://www.sciencemag.org/
Bem, infelizmente, eu só fiz dois anos de física na USP, serviu para aprender um pouco de cálculo (4 cálculos) e um pouquinho de física, mas ainda entendo muito pouco, let’s say about 0,01 % do que eu leio, mas para quem não lê o meu blog, posso suscitar maior credibilidade! Mas vamos ao que interessa. Achei um artigo bem interessante, embora não tenha realmente entendido muito, não tenha entendido suas implicações. Abaixo está um trechinho trascrito da revista da FAPESP:
“Pela primeira vez, cientistas conseguiram teletransportar informação entre dois átomos isolados em compartimentos distantes 1 metro um do outro. Trata-se de uma conquista importante na busca por um computador quântico. O teletransporte de informação (...) talvez seja a mais misteriosa forma de transporte possível na natureza (...) No teletransporte quântico (emaranhamento), a informação (como o spin de uma partícula ou a polarização de um fóton) é transferida de um local a outro sem que ocorra o deslocamento por um meio físico. Não há transferência de energia, nem de matéria.”
Achei o máximo! Porque, mesmo os esotéricos tentam justificar suas “teorias” pela “transmissão de energia”, tão forte é a noção vinda da física de que a energia deve ser mantida! Mas, PQP, talvez não seja necessário que energia esteja envolvida na transmissão de informação!! Isso foi forte!!
Vou transcrever mais um pouquinho, só para você, amado leitor, entender melhor meu não-entendimento:
“Bits (dígitos binários) eletrônicos convencionais, como os de um computador pessoal, estão sempre em um de dois estados: ligado ou desligado, ou 0 ou 1. Os bits quânticos, entretanto, podem estar em alguma combinação (superposição) dos dois estados ao mesmo tempo como uma moeda que ficasse simultaneamente tanto na cara como na coroa. E é justamente esse fenômeno inusitado que dá à computação quântica seu enorme potencial.”
Artigo da Science, 23/1 http://www.sciencemag.org/
sábado, 24 de janeiro de 2009
Às vezes sofremos à-toa
Em geral, um exame positivo para uma doença é fonte de grande angústia. No entanto, um teste positivo muitas vezes não implica doença!! Essa noção nem sempre é conhecida pelos médicos que atribuem maior confiabilidade aos exames do que eles realmente têm e atribuem maior chance ao diagnóstico positivo. Isso é mostrado em um trabalho* em que um grupo de médicos americanos e um grupo de médicos alemães foram solicitados a estimar a probabilidade de uma mulher de 40 a 50 anos, com um exame de mamografia positivo para câncer de mama, de fato ter a doença. Os médicos estimaram a chance ente 75 e 90%. No entanto, segundo o teorema de Bayes, a probabilidade desta mulher ter câncer de mama é em torno de 9 %!! Essa correção do resultado do teste leva em conta a sensibilidade e a especificidade do teste, bem como a prevalência da doença na população em questão. (Estes dados são acessíveis na literatura técnica sobre o método diagnóstico e na científica sobre a epidemiologia da doença.) E utiliza o conceito de probabilidade condicional de Bayes.
Um simulador (calculadora Bayesiana) para inferir qual é a verdadeira probabilidade de um diagnóstico indicar determinada doença, pode ser consultado em:
http://psych.fullerton.edu/mbirnbaum/bayes/BayesCalc.htm
Nesta calculadora você introduz os valores:
P(H): que é a probabilidade de ocorrer a doença na população em que você se inclui
P(DH): que é a sensibilidade do teste, ou seja ele dar positivo dado que há doença
P(DH’): que é a probabilidade de ocorrer falso positivo. A calculadora fornecerá a chance percentual de se ter a doença de fato, ex:
ômega1= 0.2056, aproximadamente 20%. Ou chance de 5:1 de não se ter a doença
* No livro “The drunkard’s walk, how randomness rules our lives”.
Um simulador (calculadora Bayesiana) para inferir qual é a verdadeira probabilidade de um diagnóstico indicar determinada doença, pode ser consultado em:
http://psych.fullerton.edu/mbirnbaum/bayes/BayesCalc.htm
Nesta calculadora você introduz os valores:
P(H): que é a probabilidade de ocorrer a doença na população em que você se inclui
P(DH): que é a sensibilidade do teste, ou seja ele dar positivo dado que há doença
P(DH’): que é a probabilidade de ocorrer falso positivo. A calculadora fornecerá a chance percentual de se ter a doença de fato, ex:
ômega1= 0.2056, aproximadamente 20%. Ou chance de 5:1 de não se ter a doença
* No livro “The drunkard’s walk, how randomness rules our lives”.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Quem você gostaria que estivesse com você
Para saber com quem você gostaria de estar neste momento, vamos usar a numerologia. Para que dê certo, você tem que ser bom em matemática e não pode pular nenhuma etapa.
1) Escolha seu número preferido de 1 a 9
2) Multiplique por 3
3) Some 3 ao resultado
4) Multiplique o resultado por 3
5) Some os dígitos do resultado
Depois que calcular, veja o número que corresponde a quem você gostaria de estar junto agora
1. Sua mãe
2. Sua irmã
3. Seu professor de matemática
4. Um gatinho de pelúcia
5. Tom Cruise
6. Ninguém
7. Seu vizinho
8. Qualquer pesso
9. Walkyria Sigler
10. Gerente do seu banco
Bateu?
1) Escolha seu número preferido de 1 a 9
2) Multiplique por 3
3) Some 3 ao resultado
4) Multiplique o resultado por 3
5) Some os dígitos do resultado
Depois que calcular, veja o número que corresponde a quem você gostaria de estar junto agora
1. Sua mãe
2. Sua irmã
3. Seu professor de matemática
4. Um gatinho de pelúcia
5. Tom Cruise
6. Ninguém
7. Seu vizinho
8. Qualquer pesso
9. Walkyria Sigler
10. Gerente do seu banco
Bateu?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Minha explicação para o “Monty Hall Problem*”
Esse problema foi chamado assim por causa do apresentador de um programa de auditório chamado “Monty Hall”, tipo um Sílvio Santos americano. Esse apresentador, na década de 70, propunha a um participante do auditório que escolhesse uma dentre 3 portas. Caso abrisse a porta “certa”, encontraria um carrão, mas se abrisse uma das duas portas “erradas”, encontraria um bode.
O candidato escolhia uma porta. O apresentador, então, abria uma das outras portas e encontrava um dos bodes. Enfim, o apresentador perguntava ao candidato se ele mantinha sua 1ª escolha ou desejava trocar pela outra porta.
A questão é: trocar ou manter a escolha? Faz alguma diferença?
Faz. Segundo os “experts”, ao mudar sua opção, o candidato dobra suas chances de ganhar, não importando qual tenha sido a sua 1ª escolha!!! Confesso que eu fiquei horas tentando entender o porquê. Pois, tal qual a maioria das pessoas, eu acreditava que, restando 2 portas, as chances do candidato ganhar ou perder eram 50:50, mudando ou não de porta. Enfim, depois de muito muito tempo pensando e procurando soluções na net (meu namorado está viajando, a trabalho), eu me convenci de que a chance de ganhar mudando a escolha inicial é maior do que mantendo a escolha. Então, resolvi publicar minha resposta, um mix do que vi e do que entendi.
Lá vai:
No momento do programa, existe uma configuração atrás das portas, uma contém um carro e em cada uma das outras, há um bode. Ao escolher uma porta, a chance do candidato ganhar o carro é 1/3 ou aproximadamente 33%, ou seja, ele sempre tem mais chance de errar do que de acertar! A chance do carro estar em uma das outras duas portas é de 2/3 ou cerca de 66%.
Quando o apresentador abre uma das portas remanescentes, a chance do candidato não muda NADA, pois o apresentador sabe onde está o carro e sempre há uma porta com um bode para ele abrir!! Ou seja, a chance do candidato não cresceu só porque uma porta com um bode foi aberta, ele ainda tem a mesma pequena chance de 33% de tirar o carro na 1ª escolha. Porém, na porta aberta pelo apresentador a chance de tirar o carro caiu a 0%, portanto, como a chance de encontrar o carro abrindo as 3 portas deve ser igual a 100%, há 66% de chance do carro estar na porta que ele não escolheu. Assim, não importa qual tenha sido a sua escolha inicial, é sempre mais provável que o candidato tenha escolhido a porta errada. Então, ao trocar sua escolha, ele aumenta suas chances de ganhar.
Para tornar o raciocínio mais claro, imaginemos que, em vez de 3 portas, tenhamos 1000 e o candidato tenha escolhido a porta número 5. Sua chance de acertar é de 1/1000. Mas, se o apresentador abrir 998 portas não premiadas (o apresentador sabe onde o carro está) e ficarem restando só duas portas, a número 5 e uma outra, em qual é mais provável que o carro esteja?? É a mesma coisa...
É estarrecedor que erremos assim nos nossos julgamentos de probabilidade. Mas, igualmente desconcertantemente surpreendente (sic), é verificar que muitos médicos, segundo pesquisa feita nos EUA e na Alemanha**, também se enganam nas suas inferências estatísticas, ao superestimam enormemente a probabilidade de um diagnóstico, baseados em exames. Assim, há considerável probabilidade de alguém não ter uma doença, dado que seu exame para ela tenha sido positivo. Mas esta é minha próxima publicação!
OBS: Para quem ainda duvida da questão do Monty Hall: Pode testar por si mesmo no “simulador” : http://www.math.ucsd.edu/~crypto/Monty/monty.html
E, para quem não se convenceu com minha explicação e quer duas alternativas, seguem mais dois vídeos: explicação 1 e 2.
Mas, antes de mais nada, um vídeo bem engraçadinho...
*Essa questão causou bastante polêmica nos EUA, no ano de 1991, quando muitos cientistas e matemáticos enganaram-se também no seu julgamento para avaliar corretamente o problema. Para saber da controvérsia: http://math.ucsd.edu/~crypto/Monty/montybg.html
** No livro “The drunkard’s walk, how randomness rules our lives”.
O candidato escolhia uma porta. O apresentador, então, abria uma das outras portas e encontrava um dos bodes. Enfim, o apresentador perguntava ao candidato se ele mantinha sua 1ª escolha ou desejava trocar pela outra porta.
A questão é: trocar ou manter a escolha? Faz alguma diferença?
Faz. Segundo os “experts”, ao mudar sua opção, o candidato dobra suas chances de ganhar, não importando qual tenha sido a sua 1ª escolha!!! Confesso que eu fiquei horas tentando entender o porquê. Pois, tal qual a maioria das pessoas, eu acreditava que, restando 2 portas, as chances do candidato ganhar ou perder eram 50:50, mudando ou não de porta. Enfim, depois de muito muito tempo pensando e procurando soluções na net (meu namorado está viajando, a trabalho), eu me convenci de que a chance de ganhar mudando a escolha inicial é maior do que mantendo a escolha. Então, resolvi publicar minha resposta, um mix do que vi e do que entendi.
Lá vai:
No momento do programa, existe uma configuração atrás das portas, uma contém um carro e em cada uma das outras, há um bode. Ao escolher uma porta, a chance do candidato ganhar o carro é 1/3 ou aproximadamente 33%, ou seja, ele sempre tem mais chance de errar do que de acertar! A chance do carro estar em uma das outras duas portas é de 2/3 ou cerca de 66%.
Quando o apresentador abre uma das portas remanescentes, a chance do candidato não muda NADA, pois o apresentador sabe onde está o carro e sempre há uma porta com um bode para ele abrir!! Ou seja, a chance do candidato não cresceu só porque uma porta com um bode foi aberta, ele ainda tem a mesma pequena chance de 33% de tirar o carro na 1ª escolha. Porém, na porta aberta pelo apresentador a chance de tirar o carro caiu a 0%, portanto, como a chance de encontrar o carro abrindo as 3 portas deve ser igual a 100%, há 66% de chance do carro estar na porta que ele não escolheu. Assim, não importa qual tenha sido a sua escolha inicial, é sempre mais provável que o candidato tenha escolhido a porta errada. Então, ao trocar sua escolha, ele aumenta suas chances de ganhar.
Para tornar o raciocínio mais claro, imaginemos que, em vez de 3 portas, tenhamos 1000 e o candidato tenha escolhido a porta número 5. Sua chance de acertar é de 1/1000. Mas, se o apresentador abrir 998 portas não premiadas (o apresentador sabe onde o carro está) e ficarem restando só duas portas, a número 5 e uma outra, em qual é mais provável que o carro esteja?? É a mesma coisa...
É estarrecedor que erremos assim nos nossos julgamentos de probabilidade. Mas, igualmente desconcertantemente surpreendente (sic), é verificar que muitos médicos, segundo pesquisa feita nos EUA e na Alemanha**, também se enganam nas suas inferências estatísticas, ao superestimam enormemente a probabilidade de um diagnóstico, baseados em exames. Assim, há considerável probabilidade de alguém não ter uma doença, dado que seu exame para ela tenha sido positivo. Mas esta é minha próxima publicação!
OBS: Para quem ainda duvida da questão do Monty Hall: Pode testar por si mesmo no “simulador” : http://www.math.ucsd.edu/~crypto/Monty/monty.html
E, para quem não se convenceu com minha explicação e quer duas alternativas, seguem mais dois vídeos: explicação 1 e 2.
Mas, antes de mais nada, um vídeo bem engraçadinho...
*Essa questão causou bastante polêmica nos EUA, no ano de 1991, quando muitos cientistas e matemáticos enganaram-se também no seu julgamento para avaliar corretamente o problema. Para saber da controvérsia: http://math.ucsd.edu/~crypto/Monty/montybg.html
** No livro “The drunkard’s walk, how randomness rules our lives”.
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