Estava com muito medo deste Natal. De antemão, já tinha visitado a livraria Cultura e comprado quatro companhias para meus dias de festa. Tinha receio de que a solidão pudesse ser avassaladora... Mas, talvez, diante deste meu temor, o aniversariante tenha tido pena de mim e, assim, me presenteado com algo muito diferente do que imaginei. O presente chegou já no dia 22. Uma dor especial no meu dente 30. Quando percebi esse desconforto, pensei em buscar um dentista “de confiança”, ou seja, alguém tecnicamente capaz de resolver meu problema (mas que iria me deixar meio endividada). Sabia que deveria decidir rapidamente, pois, em um dia, tudo estaria fechado e teria que esperar até segunda-feira, com dor. No entanto, decidi protelar, postergar, procastinar !!! Por quê ???
Dentre os quatro livros que comprei, dois tratam diretamente da questão da “decisão”. E um deles explica: “Há uma tendência das pessoas na persistência a uma conduta, mesmo que ela se torne excessivamente dispendiosa”. O livro ilustra com o exemplo da Sra X que esperava pelo último ônibus, às 23:30 h, quando passou um táxi. Vendo o táxi, ela achou que não valia a pena pegá-lo, pois o ônibus deveria estar prestes a vir. O tempo passou, veio outro táxi, mas nada do ônibus... Uma hora depois, nem táxi, nem ônibus, uma chuva fininha e ela voltou a pé para casa. Esse livro menciona experimentos em que as pessoas, quando estão perdendo, acreditam estar se aproximando do sucesso e, portanto, alimentam o ciclo de perdas. Em um dos experimentos, voluntários ganham 400 euros e lhes é oferecido ganhar mais 200 euros no caso de conseguirem “tirar” o número premiado (desconhecido) em um contador que avança um algarismo por segundo, que vai de 0 a 500 e que custa 1 euro por algarismo. O voluntário pode parar quando quiser. Neste experimento, foi demonstrado que, quanto mais jogam, mais os voluntários receiam parar, pois já investiram muito. No entanto, perdem mais.
Sobre as chances aumentarem em decorrência dos maiores gastos, acima descritos, eu ainda não me convenci de que não aconteçam. Ou seja, para mim, como para a Sra X, acho que a chance do ônibus aparecer, quanto mais tarde ficar, é maior. Ou, no caso do contador, quanto mais números forem perdidos, maior a chance do número premiado aparecer. Porém, algo importantíssimo, no caso da Sra X e no meu caso, é avaliar o preço do erro. Foi isso o quê faltou.
No caso da Sra X, ela economizaria o táxi, se estivesse certa. Mas, e se estivesse errada? O ônus da perda não é maior do que a economia do ganho, levando em conta, é claro, não só o dinheiro?
E no meu caso? Sinceramente, eu não sei em que pensei. Será que em algum momento, eu achei que fosse economizar e que a dor pudesse parar? A dor piorou. Consegui um opióide (com prescrição) para sobreviver até segunda-feira quando vou pagar caro, literalmente. E só espero não ter complicado a minha situação pela demora em ser atendida.
Há muitos tipos de sofrimento, mas alguns deles nós poderíamos evitar.
domingo, 26 de dezembro de 2010
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