domingo, 31 de agosto de 2008

Involução pessoal e coletiva

Umas das piores condutas do ser humano na atualidade é tentar garantir suas vantagens pessoais em detrimento das coletivas. A maioria pensa em si desarticuladamente dos seus pares, buscando seu sucesso individual. As pessoas unem-se cada menos em agremiações, centros acadêmicos, condomínios e sindicatos, para, em vez disso, lutarem isoladamente por “seus lugares ao sol”, na ilusão de que podem ganhar mais, se não dividirem com ninguém. Mas essa aritmética não funciona assim. Esse raciocínio é um grande equívoco. Todos perdem ao tentarem ganhar isoladamente...

Essa idéia de lutar pelo sucesso individual, porém, não é obra do acaso, existe grande incentivo para que as pessoas pensem em obter vantagens só para si. A sociedade estimula todos a competirem em vez de se organizarem para conseguir melhores condições de saúde, moradia e emprego. Aliás, as poucas organizações populares que defendem interesses coletivos são difamadas como é o caso dos “sem terra” ou são tuteladas, como é o caso recente do Banco Popular do Brasil, inspirado no Banco Grameen, de Bangladesh fundado para fornecer empréstimos a empreendedores de baixa renda. Interessante foi que para a fundação do “correspondente” banco brasileiro, o próprio mentor bengali, o economista e Nobel da Paz, Muhammad Yunus foi convidado. E para o estarrecimento de todos, ele lamentou que a iniciativa tivesse sido do Banco do Brasil (do qual o “Popular” é uma concessão), pois que isso implicaria o desvirtuamento da concepção original!! Mas o que ocorre no Brasil é um reflexo do que ocorre na maior parte do mundo, principalmente nos EUA, país que, sem constrangimento, se negou a assinar o protocolo de Kyoto, pois mais legítimo para eles era defender seu lucro, que colaborar para o mundo continuar respirando!!

Infelizmente, a civilização que evoluiu da barbárie para o estado de direito parece agora estar fazendo o movimento inverso.

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