Bertrand Russell, o ilustre matemático, também ganhou o prêmio Nobel de literatura. Ele escreveu vários ensaios, entre outros assuntos, sobre "a conquista da felicidade"(1). Das várias considerações que faz no seu livro, uma bem interessante é sobre pensar nos problemas apenas a fim de resolvê-los e não a todo momento. Se conseguíssemos fazer isso, com certeza nosso sofrimento seria muito menor. Não acredito, porém, que alguém consiga se dominar ao ponto de ser tão técnico na resolução dos problemas, mas tenho a certeza de que a mente que não busca se disciplinar para não pensar inutilmente sobre um assunto, sofre muito mais do que aquela que se treina nesta prática.
Diz Russell:
"O sábio só pensa em seus problemas quando existe algum sentido em fazê-lo; no restante do tempo pensa em outras coisas e, à noite na cama, em nada pensa. Não estou dizendo com isso que em meio a uma grande crise - por exemplo, quando a ruína parece iminente, ou quando um marido tem boas razões para suspeitar que sua mulher o trai - seja possível, exceto no caso de algumas mentes excepcionalmente disciplinadas, deixar de pensar no problema, mesmo sem querer. Mas é perfeitamente possível não pensar nos problemas dos dias normais, com exceção do momento exato, para, por fim enfrentá-los. É espantoso o quanto homens e mulheres podem aumentar a felicidade e a eficiência cultivando uma mente ordenada, que pense de maneira adequada nas horas certas e não inadequadamente a todo momento. Quando temos que tomar uma decisão difícil ou preocupante, de posse de todos os dados possíveis, devemos pensar na questão da melhor maneira para resolvê-la e tomar uma decisão. Feito isso, não temos que voltar ao assunto, a não ser que surja um dado novo. Nada é mais extenuante e estéril que a indecisão."
1. A conquista da felicidade. Bertrand Russell. Ediouro. 2a ed. Trad. Luiz Guerra. 2002.
domingo, 3 de agosto de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário