Sábado à noite... Quem está sozinho em casa, lendo esse Blog agora, deve ficar feliz e agradecido, tem um tempo todo seu! Usei um texto especial para esta noite com você. Um texto* que foi escrito para o dia dos namorados, mas serve muito bem para os sábados à noite, você vai ver! Aliás, o que é o dia dos namorados senão todos os “sábados à noite” concentrados num só dia? Enjoy it!
“Ninguém me dá mais presente no Dia dos Namorados. Ainda bem! Celebrar o amor romântico que os poetas cantam é para mim como comemorar furúnculos, hemorróidas ou gota.
Não é coincidência que o dia dos namorados seja comemorado no dia de “St Valentine”. Um médico cristão, espancado e decapitado pelos romanos em 269. Quem poderia melhor ser o Santo padroeiro dos amantes, que um homem intimamente conhecedor do sofrimento?
Mesmo aqueles que defendem o amor, admitem que ele envolve considerável penar. Palpitações, insônia, perda do apetite, alterações do humor e pensamento obsessivo são sintomas comuns. Os aflitos são convenientemente alertados nas canções de amor, “you are not sick, you’re just in love”. Como se amor fosse melhor que doença!
Um dos aspectos mais bizarros do amor é a compulsão do atingido em dividir sua “miséria” com os outros. Algumas vítimas até recorrem à magia e à bruxaria para alcançar o intento de ficar com o ser amado.
Porque as pessoas têm que sofrer com o amor é um mistério! Diz a lenda grega que os humanos eram originalmente hermafroditas e que nenhum amava o outro, pelo menos não de modo “romântico”. Até que um deus irado dividiu-os em dois, criando uma metade homem e uma metade mulher. Desde então, as pessoas sentem-se incompletas... Aí, quando elas acham sua outra metade, ou pensam que acham, experienciam a extasiante tortura que nós conhecemos como amor. Seu sofrimento é compreensível já que nunca chegam a se tornar realmente inteiras, porque sua outra metade se mostra menor do que a necessária para o ajuste perfeito.
Vários cientistas comportamentais estudaram o amor, porém não chegaram a um consenso sobre sua natureza! O psicólogo John A. Lee, que identificou 9 tipos de amor, classifica a paixão como uma psicose maníaca. Isso é óbvio, é só observar como a pessoa que ama faz coisas loucas!
A interpretação do amor como loucura tem muitos seguidores, mas há também outros pontos-de-vista. Os psicólogos Stanton Peele e Archie Brodsky defendem que o amor celebrado no dia dos namorados é um tipo de vício. Pessoas apaixonadas, observam os pesquisadores, geralmente se encaixam em dois critérios para o diagnóstico de dependentes químicos: tolerância e síndrome de abstinência. No começo, os amantes ficam satisfeitos em estarem juntos por pequenos períodos, mas a tolerância rapidamente cresce e eles admitem isso, dizendo como nas canções: “não posso ficar sem você”. Tal qual falam os drogados em heroína para suas agulhas. E quando o viciado não consegue “tomar um pico”, sente náuseas, sua e tem calafrios. Isso é abstinência. Separações longas criam uma agonia ainda maior, fazendo com que os apaixonados sintam-se na obrigação de descrever a sua dor, nos mínimos detalhes, a qualquer um que esteja por perto.
Já, o psiquiatra Joseph Wolpe diz que o amor é apenas um “transtorno mental”, como são as fobias, por exemplo. Este transtorno é refratário aos argumentos lógicos ou aos bons conselhos, pois algo aprendido emocionalmente não pode ser tratado puramente no nível intelectual. Não busque o amor no córtex, a parte racional do cérebro, diz o psiquiatra, você só irá encontrá-lo na parte mais primitiva, reptiliana do cérebro, a mesma que leva o tubarão ao furor de devorar.
Outros “experts” buscam em Darwin uma explicação para o amor. As crianças requerem cuidado e proteção constante por mais de uma década. Nas cavernas rústicas, que foram os lares de nossos ancestrais por milênios, diz a teoria, a criança cujos pais não tinham apego emocional um pelo outro, não conseguia alcançar a idade reprodutiva. Assim, o amor é um intrumento evolutivo, um artifício sórdido da natureza para assegurar a continuidade da espécie.
Por fim, outra teoria defende que o amor é uma invenção cultural. Em uma explicação que Freud amaria (desculpe o termo!), o psicólogo Lawrence Casler põe a culpa no sexo. Ou, melhor dizendo, culpa em relação ao sexo! No ponto de vista de Casler, as pessoas tem um desejo ardente por sexo, mas as sociedades ocidentais puritanas, como a nossa, fazem do dele um tabu. Assim, as pessoas que querem mesmo é sexo, tentam arranjar um pretexto para não se sentirem culpadas por isso. Aí é que entra o amor, para diminuir a culpa. Então, é o amor que vem do sexo e não o sexo que vem do amor! A revolução sexual dos anos 60 e 70 parece ter feito as pessoas menos culpadas em relação ao sexo. Se Casler está certo, agora as pessoas se apaixonam menos, pois não precisam usar essa “desculpa” para fazer sexo.
De fato, há anos que eu não vejo alguém realmente apaixonado! E eu acho isso ótimo! O quanto antes nos livrarmos da ameaça do amor romântico, melhor!! O mundo seria um lugar mais sensato, menos instável e mais ajuizado se o amor romântico fosse erradicado! É claro que eu mudaria de idéia quanto a tudo isso se alguém, qualquer um, me desse um presentinho no dia dos namorados...
* The trouble with love, Paul Chance (infelizmente não sei nada sobre ele, o texto eu tenho há muito tempo...)
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