O preconceito, ou seja, julgar sem fundamentar, é um dos muitos vícios de raciocínio que estamos habituados a cometer, pois o pensar do cidadão comum, no dia-a-dia, não obedece regras que visem chegar à verdade, mas apenas fornece subsídos para a rápida tomada de decisão.
Na realidade, é impossível que nos abstenhamos de fazer julgamentos a partir de um simples olhar sobre alguém. Vendo um maltrapilho se dirigindo a nós, por exemplo, pode ser inevitável que concluamos que ele nos vá pedir auxílio. Isso é um preconceito porque é um julgamento a priori sobre aquele que vemos e sua provável atitude. Assim, muitos julgamentos são baseados na vivência anterior de quem julga, ou nas informações de situações similares que ele possa ter, por exemplo, da mídia. E a mídia noticia o que é singular, não o que ocorre corriqueiramente. Assim, pode-se apontar que o primeiro erro do preconceito, enquanto julgamento, é se basear numa amostragem pequena e não aleatorizada, ou seja restrita à vivência de quem julga (portanto viciada).
Em comunhão indissociável com o preconceito estão as generalizações. Assim, é comum atribuir características a todos os negros, todas as mulheres, todos os políticos, enfim, a todos os membros de certo grupo. Com base em generalizações deste tipo, aquele que julga, simplifica a problemática e se abstém de julgar cada caso, pois que sua idéia é se livrar da questão e dotar o ser julgado da impossibilidade de ser diferente, já que suas características são o destino selado pelo seu grupo. Não é, porém, a comodidade de quem julga que me preocupa, mas a crueldade deste raciocínio que justifica uma conduta diferenciada para cada grupo, sem levar em conta que cada indivíduo pode e gostaria de ser tomado como diferente, único, singular. Um ser humano.
sábado, 19 de julho de 2008
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