segunda-feira, 28 de julho de 2008

Falácias 2

Uma falácia é um erro de raciocínio. Há muitos argumentos falaciosos no dia-a-dia, os ouvimos e os proferimos, mas é bom saber que a lógica não os aceita como válidos.

Algumas falácias se devem à modificação da justificativa relevante para a conclusão por outra que não tem nenhuma relação com ela. Tirei alguns exemplos de livros e sites lógica*:

Apelo à piedade (Ad misericordiam)
Um aluno chorando diz que se sua nota for menor que 5, ele perde a bolsa.

Mas, a nota atribui um valor aos conhecimentos ou habilidades demonstradas pelo aluno a fim de que ele possa considerar que uma etapa de estudos esteja satisfeita. Se o professor atribuir notas indevidas, de acordo com os problemas que impediram os alunos de conseguirem suas aprovações, isso desvirtua a atribuição de notas.
Deve-se estar sempre atento a este tipo de raciocínio, porque desloca a responsabilidade de quem, de fato, a tem.

Uma vez, uma colega de faculdade argumentou com o professor que sua baixa nota se devia ao fato de ter que trabalhar de dia e estudar à noite. Ao quê ele respondeu: “Por isso sou contra os cursos noturnos!!”. Desconsiderando o caráter antidemocrático desta fala (muito peculiar a este professor, aliás), ele conseguiu dar uma resposta muito interessante!! Ele usou a justificativa dela para chegar a uma conclusão totalmente diversa da que ela defendia!

No caso dos professores, por exemplo, ao concordarem com argumentações Ad misericordiam, estão garantindo a existência de profissionais, digamos neurocirurgiões, que não conseguiriam ser aprovados durante seu curso, mas que, por terem tido bolsas do governo, estão habilitados a operar nossos cérebros!

Outra falácia interessante, muitíssimo aceita é que uma proposição é verdadeira de acordo com quem a defende:

Apelo à autoridade (Ad auctoritatem)

Ela significa:
Se Deus/um médico/Freud/Marx/Stephen Hawking/a maioria das pessoas dizem x
Logo, x é verdadeiro

O erro desta falácia é atribuir a validade da conclusão a quem a profere e não às verdadeiras causas. Pois, o defensor não pode ser, tecnicamente, a causa da validade da conclusão! O risco de aceitar tal falácia é acreditar em algo sem evidências consistentes de que é verdadeiro! Alguém poderia até ser iludido de que uma autoridade afirmou algo que nunca o fez!

Ainda há a modalidade desta falácia que ocorre quando uma autoridade em um assunto faz uma afirmação em relação a outro assunto que não é sua área de expertise, e se dá, devido ao peso desta personalidade, sua conclusão como válida.

Por exempo, Einstein tendo sido um grande físico e acreditando em Deus, isso é um argumento favorável para que também nós (que humildemente, nos consideramos menos inteligentes que Einstein) devamos seriamente considerar a existência de Deus.
Porém, o fato de ele crer ou não em Deus não é argumento para Sua existência.
Aliás eu nem tenho certeza da crença de Einstein sobre Deus, só me ocorre uma frase dele: “O Universo é inexplicável sem Deus”. O que também não diz nada sobre a opinião pessoal dele! Ainda, esta frase me lembra outro exemplo de falácia, chamada Ad ignorantiam, quando se admite uma conclusão pela falta de evidências contrárias; ou seja, como não se pode explicar a existência do Universo sem Deus, Deus existe.

As falácias são muito interessantes porque são armadilhas que podem prejudicar nossas conclusões. Embora, atualmente, não defenda que o raciocínio seja a faculdade mental mais importante do Ser, ainda acho que é prudente tentar usá-lo adequadamente.

[Parênteses: gostaria de finalizar dizendo que creio em Deus e não preciso de argumentos! ]

*Livro e sites consultados:
A serpente e a raposa, uma introdução à logica. Mary Haigth (Trad. A. U. Sobral). São Paulo: edições Loyola. 2003.

http://www.nizkor.org/features/fallacies

http://web.ufm.edu.gt/ccee/mpolanco/falacias.htm

Um comentário:

  1. Considerado, Walkyria...

    Já dizia Nélson Rodrigues que a misericórdia corrompe. Trabalhar de dia e estudar à noite faz parte de uma escolha cujo responsável é quem a faz. Não acho digno culpar dificuldades econômicas e necessidades sociais por fracassos acadêmicos.

    Sobre autoridade, há pesquisas mostrando quais são as figuras que mais impõem respeito: o militar, o médico, o rico e daí por diante.

    Um estudo mostrou que uma enfermeira não questionava a prescrição de um médico, mesmo sabendo que ela seria capaz de matar seu paciente.

    Outro, sugeriu que em países onde a hierarquia é muito marcada e não contestada ocorrem mais acidentes de avião (o co-piloto jamais questiona o piloto).

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